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sábado, 14 de outubro de 2006
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ACESSE O LINK ABAIXO PARA LER A CONTINUAÇÃO...
http://paisagensremotas2.weblogger.com.br
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- 19:50:02 ::
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segunda-feira, 2 de outubro de 2006
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VIGÉSIMO QUARTO CANTO
Aos que não se rendem, vampiros absortos, inócuos, calados.
Na estrada as paisagens remotas encharcam os meus olhos.
Tão minhas as serras, na cabeça um filme que ninguém viu e verá;
Lírico e triste, minhas perversões filmicas,
um longo e sereno cantar...
Salmodia
Voz e violoncelo

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Fabio Santiago
- 23:26:41 ::
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VIGÉSIMO TERCEIRO CANTO
A rima em carne crua
Temperamento
Da janela a chuva
Ventre molhado
Amaldiçoado, marcado, esquecido.
No canto da sala as mãos nos bolsos, Fumaça nos lábios.
Todo o dia pela manhã molho os lábios com absinto,
garrafa esta guardada embaixo do balcão, exclusiva para mim.
As garrafas, as cores dos líquidos, num baile de tintas, numa dança de cores.

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- 23:21:55 ::
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VIGÉSIMO SEGUNDO CANTO
A loucura mora no compasso do meu coração.
Fico dias anímico, letárgico.
Celebro o dia quieto.
As pernas trepidam.
Espasmos.
Escrevo na cor preta para as sombras.
Morreu de tristeza aquela aquarela
Vista daqui, foi cedo demais.

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- 23:11:40 ::
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VIGÉSIMO PRIMEIRO CANTO
Escanear o solo, dissolver os versos que não valem nossa moradia.
Minha prosapoesia não vale uma soda, ela longe das flores do estilo,
É um galho seco.
Um gole seco.
Aos que dizem para ter calma e aguardar.
meu brado diurno,
Falsos anjos, cegos, aleijões.
A vida passa tão rápido quanto um passo largo.
A espera caleja os dedos e a morte é a ultima parada.
Tenho sina e vivo em transe.

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- 23:04:24 ::
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VIGÉSIMO CANTO
E meu amigo das sombras estava morrendo, perdido e triste,
nem sua mulher de olhos de oceano conseguia fazê-lo reviver.
Seus cães sorriam tentando erguê-lo e os dias de chuva chegavam.
O impopular...Velhos vampiros acabam também se cansando...
...embolorado, vencido, estragado....
E meu amigo das sombras estava morrendo...Abandonado por todos, um lírio de Jesus, açoitado.

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- 22:58:11 ::
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DÉCIMO NONO CANTO
Jardel Filho fala nos meus ouvidos em Terra em Transe de Glauber Rocha.

"...ESTOU MORRENDO AGORA NESTA HORA
ESTOU MORRENDO NESSE TEMPO
ESTÃO CORRENDO O MEU SANGUE E AS MINHAS
LAGRIMAS
AH, SARA
TODOS VÃO DIZER QUE SEMPRE FUI UM LOUCO, UM ROMÂNTICO,
UM ANARQUISTA, QUE SEMPRE, AH, NÃO SEI, SARA!!"
(FILME TERRA EM TRANSE DE GLAUBER ROCHA)
Glauber fala através de Jardel, em seu transe apocalíptico.
Entre a poesia e a Política
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- 22:32:02 ::
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DÉCIMO OITAVO CANTO
As sombras surgiram para fora do bar.
Nada de Matisse nos meus olhos.
Ela quando passava, atravessava a rua na altura da minha porta,
só via dois traços longos, do outro lado, na calçada.
Deixo embriagar-me na tarde, junto aos meus amigos.

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- 22:22:11 ::
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domingo, 27 de agosto de 2006
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DÉCIMO SÉTIMO CANTO
Hoje quero embriagar-me nos seus lábios
Eu estrangeiro oriundo dos mais submersos habitats da loucura,
dos confins...
Caminho lento, sob a chuva espessa, graúda.
Quero encontrar-te na rua de nosso amor
Na frente do bar, encontro sua face alongada
Tento falar quando ela passa:
- Olá
Ela me olha e diz:
- Não te conheço
Respondo timidamente com um pequeno sorriso e ela vai embora.
Sussurro para o vento
- Meus versos, minhas rimas, minhas odes, réquiens, cantos...Tudo é
seu, tudo...
Alguém disforme grita de dentro do bar
- Pierrot, ta pensando o que rapaz, se não quer trabalhar fecha as portas.
Ah, desgraçado, distorção, Pollock nas formas, caótico, miserável.
Sirvo com olhar cerrado o caótico, o fragmentado.
Queria cravar meu ódio e decepção nele...Ah, como queria.

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- 11:33:53 ::
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sábado, 5 de agosto de 2006
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DÉCIMO SEXTO CANTO
Acordo tarde e vou trabalhar.
O velho açoite.
A doce ilusão.
As dividas que falam mais alto aos ouvidos.
As pernas trepidam.
Para quem disse que o trabalho dignifica o homem,
meus punhos cerrados, minha cara fechada.
Para os que dizem o que devo fazer,
um leve sorriso no canto da boca, o desprezo no olhar.
Aos que bradam meu nome ao léu.
perfurações nos ossos.
Coloco-me a disposição da tarde vazia.
Nessa ode ao delírio, grito em silêncio.

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- 16:01:44 ::
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DÉCIMO QUINTO CANTO
Paisagens remotas
A cidade entorpece e nos meus olhos todas as cores são fixações,
teorias particulares sobre sua origem.
Acelerou-se o pensamento, desorganizou-se a mente.
Cinestesia no olhar.
caoscofonia
Quadris de cachaça
Silencio
Acordes

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- 15:59:01 ::
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DÉCIMO QUARTO CANTO
Acordei com os pulsos cortados naquele dia em que tudo mudaria no meu caminho,
os carros caminhavam frenéticos e meus olhos Saltavam ao ver o balançar das cadeiras das damas ao meu redor,
colori o bar e gritei aos ouvidos de todos...Ahhhhhh...Era a minha libertação...Minha redenção
Seus lábios molhados, seus sexo exposto.
Estava cansado de tudo aquilo, era um basta, tomei meus remédios e segui adiante,
tudo deveria mudar naquelas horas...Comecei velando tudo que era falso, políticos, sociedade, policiais, ladrões...
Queria apenas os celestes, visionários, canalhas alados, excluídos, perdedores, outsiders, losers, os da contramão,
os à margem...Os sonhadores me interessavam mais do que qualquer um,
os do mundo da lua, tão redonda quanto a minha cara pálida e volátil.
Fumaça e goles profundos...desilusão
Doce delírio, insônia imaculada, assassino a identidade, atravesso a rua,
não quero ir a sua festa, me bastam os meus cachorros roçando as minhas pernas...
Era um poema, um verso, um canto, um delírio, um manifesto.
Só me rendo ao amor...Só me rendo ao...

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- 15:55:50 ::
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DÉCIMO TERCEIRO CANTO
A loucura escondeu seu rosto e me atacou, ela também te colocou no chão,
entre gritos e desespero veio à partida.
Navego em lagrimas numa manhã ensolarada,
onde a dor é maior que o brilho dos teus olhos.
Ela era a perfeição, olhos de oceano, cabelos de macarrão doirados,
e uma leve pintinha no canto direito do lábio inferior, lábios carnudos...
Longelínea.
Uma voz me fala:
- Meu caro Pierrot.
Ela é uma menina preciosa.

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- 15:49:33 ::
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DÉCIMO SEGUNDO CANTO
Ela passa como um ciclone, uma ventania e eu ali parado, o superficial, o que não se aprofunda,
o que não age, o observador vazio, ela passa por meus olhos inchados e úmidos,
olhos que contemplam, o sonhador sem ação, sem corpo...
Apenas um olhar, um corpo que não faz parte, que não existe, vazio, uma holografia.
Eu, o que espera...Que sempre fica esperando algo...
Espero a vida, espero os amigos, espero os deuses, espero os santos, espero as paixões, espero a morte...
O que tem filmes conceitos na cabeça líricos como um canto, o que escreve com a tipografia das letras murchas,
ressecadas, um céu de galhos ressequidos...O delirante...
Febre alta
contrações

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- 15:43:55 ::
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domingo, 30 de julho de 2006
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DÉCIMO PRIMEIRO CANTO
Tão celestes os meus bêbados, caminham lentos pela extensão do bar, sorriem, confraternizam-se...
Muitos deles possuem cadeira cativa, às vezes até se servem, tornando-me um estorvo...
Assistem aos jogos de futebol pela tv no canto superior do bar, jogam, falam, arrotam, discutem...
Tão celestes, dândis imaculados, vagabundos doirados...
Os que chegam para atrapalhar são logo colocados de lado, excluídos, não há espaço para
bêbados chatos, para briguentos. Nesse lar onde sou o padrasto, nesse navio onde sou o comandante,
existe também uma certa hierarquia, mas eles não deixam que ninguém estrague a sua quimera, o seu porvir...
O porto seguro desses homens tem nome e endereço, ao se embriagarem,
muitas vezes decoram a vida a sua maneira.
Sou ali uma espécie de Deus, ofereço em água destilada cristalina, energia para os sedentos.

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Fabio Santiago
- 22:40:49 ::
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NONO CANTO
Dali do balcão via o movimento lento da chuva, a suave brisa, o aço brilhando dos carros e a tarde passava,
assim também o colorido das luzes nas noites do bar.

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- 22:29:58 ::
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OITAVO CANTO
Coloco-me agora na porta do bar nos horários dela...Apenas espero, é minha essa hora do dia...
É só minha. Sussurro para mim mesmo.
Tomo 1
Sigo caminhando pela cidade, olhando para os prédios, olhando para o céu cinzento...
Não falo nada por horas...Apenas caminho...
Às vezes sigo as mais belas de forma pueril...No meu silêncio vou bebendo imagens por todas as ruas.
Tomo 2
Meu desejo pelo silêncio se fez maior, enquanto meus ouvidos só conseguem escutar Antonio Marcos,
desço o largo em busca de não sei o que??
Caminho olhando para o chão, minha cabeça chega a curvar-se tanto que não consigo colocá-la no lugar novamente...Movimento lento dos pés tocando o chão.
Tomo 3
Em casa, coleciono imagens de mulheres que nunca vi na vida, são garotas novas, velhas, desconhecidas, famosas, solteiras, casadas...Tenho como hobby observar suas formas encontrá-las de forma sorrateira, em páginas virtuais, e revistas,
em recortes. Não me interessa seus nomes, seus endereços, apenas retiro da beleza o alimento para o meu olhar.

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- 22:24:14 ::
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SÉTIMO CANTO
As 14 horas ela passou. E foi assim a semana inteira.
Às vezes um pouco antes do horário, as vezes um pouco depois.
Ela passava por ali todas as tardes, fosse de sol, fosse de chuva, fosse nublado, tão lenta...
Sabia todo o seu desenho...
...A linha de seu quadril era o meu traço favorito.

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- 22:16:04 ::
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terça-feira, 25 de julho de 2006
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SEXTO CANTO
Nessa manhã eles chegaram cedo, um magrelo com cara de rabisco olhou dentro dos meus olhos e eu parti,
era apenas uma holografia.
Servi rapidamente a bebida e de onde estava observei a rua.
A poesia dos passos, tão rápidos para eles, tão singelos e lentos ao meu olhar...
As 6:00 horas passavam os jovens indo para a escola, gorros, luvas, tocas, mochilas, narizes, sorrisos.
As 6:20 eram trabalhadores quem cruzavam minha porta, olhares confusos, meio olhares, desdém, pressa.
As 7:00 alguns velhos lindos, tortos, curvados, passados, passando.
Fragmento de dialogo 3
- Por favor, você tem bala??
Pede-me um não tão jovem olho triste, olho à tinta óleo.
Respondi para os olhos.
- pode ser de hortelã
- pode ser, quanto?
- três por dez centavos falei, infalível.
- obrigado

anamórfico
Cidade em preto e branco recriada pela memória.
Enganos e desenganos nas lembranças.
Cinestesia no olhar.
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- 00:38:44 ::
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quinta-feira, 20 de julho de 2006
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QUINTO CANTO
Sempre me associei a personagens de filmes, o que via no espelho não era o rosto desse menino lânguido e sonhador...
Eu era Belmondo andando ao lado de minha Jean seberg imaginária, era Bogart sorvendo uma garrafa de bourbon e com o cigarro cerrado no canto da boca. Era assim que eu me via no meio de pinturas, uma tela de cinema, um personagem de filmes...Sempre me tocava ser Alain, o personagem principal de trinta anos essa noite...
Quando mais alegre era Russ tamblym saltitando pela casa aos olhos atentos de meu pai e minha mãe.

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Fabio Santiago
- 02:02:05 ::
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QUARTO CANTO
Todos quando chegavam ali, muito lentos ao meu olhar, pareciam pinturas, desenhos mal acabados, guache...
Pollock, rupturas...Tinham nas formas o caos.
Fragmento de Dialogo 2
Uma garota não tão bonita, porem sensual e jovem, entra e me pede um cigarro solto.
Dela, meus olhos apenas observam a forma...Ela era feita de nanquim.
- Por favor, um cigarro solto.
Entrego-lhe o mesmo, recebo o dinheiro e ela parte.
- Obrigada
- Tchau
Digo um tanto formal

Ruídos, Sons e Afins.
Mais uma vez o que tocava na minha cabeça era Antonio Marcos.

ANTONIO MARCOS - POR QUE CHORA, A TARDE
POR QUE CHORA, A TARDE SEU PRANTO ENTRISTECE O CAMINHO
POR QUE CHORA, SE TEM A BELEZA DO SOL E DA FLOR
POR QUE CHORA, A TARDE SABENDO QUE EXISTE OUTRO DIA
E A ALEGRIA DEPOIS DA TORMENTA, É DIA DE SOL
POR QUE CHORA, A TARDE NO RIO SALPICANDO O SEU LEITO
POR QUE CHORA, GRITANDO AO VENTO ANGUSTIAS E DOR
É QUE A TARDE JÁ SABE QUE ALGUÉM CARREGOU MEU CARINHO
EU COMPRIENDO QUE TAMBÉM A TARDE, SOLUÇA DE AMOR
A TARDE ESTÁ CHORANDO POR VOCÊ
POR QUE ASSISTE A SOLIDÃO NO MEU CAMINHO
A TARDE ENTRISTECEU JUNTO COMIGO
E EU PRECISO DESTA TARDE COMO ABRIGO
A TARDE ESTÁ CHORANDO POR VOCÊ
ELA SABE QUE O AMOR PARTIU PRA SEMPRE
SEUS PASSOS VÃO SUMINDO PELA ESTRADA
E ESTA CHUVA FZ A TARDE TÃO MOLHADA ( 2 X )
Tarde longa enquanto arrumava as garrafas, limpava os copos, varria o chão.
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- 02:00:18 ::
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TERCEIRO CANTO
Cinestesia no olhar.
A neblina hoje ainda não cansou, permanece no meio da manhã escondendo dos olhos o outro lado.
De quando em quando alguns goles para decorar ainda mais a vida de Deus.
...Eu esperava...Sempre esperei.

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- 01:53:01 ::
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SEGUNDO CANTO
Sei que alguns ali até gostam de mim, respeitam o meu silêncio e sabem das minhas dificuldades, digo isso,
por que meu pai cuidou do estabelecimento por muito tempo, e tenho certeza que comentou sobre meus
problemas com a visão e em relação ao mundo.
Forço a vista para ver, sempre foi assim, desde pequeno, não me acostumo com as lentes,
por isso na minha lentidão busco enxergar no movimento das coisas um tanto de leveza,
equilíbrio, pureza e poesia...
O lado de lá para minhas paisagens às vezes tão remotas.

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Fabio Santiago
- 01:44:05 ::
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PREFÁCIO
Cinestesia - sensibilidade no movimento.
O bar (Ambiente onde se passa a maioria das cenas

O personagem - Sua fala é calma, seu olhar singelo. Magro, não tão alto, jovem em sua forma e oculto em sua essência. Com seus cílios pinta a vida, olhos de pincel nas tardes no bar.

PRIMEIRO CANTO
Cinestesia no olhar.
Era a vida passando lenta, tardes profiláticas, erosão.
As pernas trepidam, fitos seus olhos enquanto sugam a bebida, dali sentado observo todos os vermes, sanguessugas, Rasputins, cagliostros, absorvendo o néctar, o supra-sumo.
Meu olhar lento, dia lento, fico ali servindo dia e noite, servindo os que não servem...
Um conhaque me pede ele, uma branquinha diz o outro, as pernas tremem atrás do balcão.
Cinestesia no olhar
A vida diluída em rostos, em cavas, em sorrisos embriagados...Todos santos, Belmondos das ruas.
Ali sou um ornamento, um objeto, um cadáver, um serviçal, dou para eles o que desejam e os mesmos retribuem com pequenos sorrisos de canto de boca, com meu nome no diminutivo, com o ruído ao beberem seu combustível...

Fragmento de Dialogo 1
Homem gordo, bonachão...pintado a carvão, tem em sua face, algo que ainda não consigo perceber. Ah, já estava esquecendo, seu nome é Messias.
- Meu caro Pierrot, por que está tão triste...Não perca a sua juventude no silêncio...Pense que existe um mundo atrás desse balcão, não é Juarez?.
Juarez, figura alongada, como um quadro de Modigliani, sempre que o vejo, faz com que trepide as minhas pernas.
- É garoto, veja quanto tempo trabalhamos para poder estar aqui hoje tomando essa, ehehehe.
Todos riem.
- fale sério Juarez!!
Grita o pequeno Mathias num canto de mesa. Sempre o associei a um afresco
- É garoto, você tem que sair mais desse balcão, ver as mulheres, ver a vida, pense nisso...

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Fabio Santiago
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